DHO Estratégico: O que está por trás das ações que realmente transformam a cultura corporativa
Veruska Galvão – 26 de março de 2025
Quando falamos de Desenvolvimento Humano e Organizacional (DHO), é comum nos depararmos com diversas iniciativas bem-intencionadas, mas que no fim das contas não deixam um impacto duradouro. Isso acontece porque muitas dessas ações são reativas e não possuem um direcionamento estratégico.

A grande questão é: será que nossas ações de DHO estão de fato moldando a cultura organizacional ou apenas respondendo a demandas pontuais?
Como dizem por aí: “Cultura não é o que está escrito na parede, é o que acontece nos corredores.”
Para que as ações de DHO sejam verdadeiramente transformadoras, é preciso atuar nos detalhes do dia a dia, criando experiências e rituais que sustentem a cultura desejada. Vamos explorar o que realmente faz a diferença.
Cultura se transforma no detalhe
Muitas vezes, acreditamos que grandes eventos, treinamentos ou projetos robustos vão mudar a cultura. Mas a verdade é que a cultura se constrói naquilo que acontece de forma consistente, nos pequenos gestos que se tornam hábitos organizacionais.
Por exemplo, não é o workshop sobre valores que vai transformar a empresa, mas sim como esses valores são vivenciados, reforçados e reconhecidos no cotidiano. Se o time participa de um treinamento inspirador, mas no dia seguinte tudo continua igual, o impacto desaparece rapidamente.
A transformação acontece quando os conceitos são integrados à rotina, tornando-se parte da identidade da empresa.
E isso impacta diretamente os resultados do negócio. Um estudo publicado no Journal of Organizational Effectiveness revelou que práticas estratégicas de gestão de pessoas explicaram 19% das variações na lucratividade e 18% das variações na produtividade das organizações analisadas. Isso reforça que iniciativas de DHO alinhadas à estratégia têm um impacto real e mensurável na performance financeira e operacional.
Toda ação precisa responder a três perguntas
Para evitar que as iniciativas de DHO se percam no curto prazo, um bom critério é sempre avaliar cada ação sob três perspectivas fundamentais:
- Para que essa ação existe? (Qual problema ou oportunidade ela busca atender?)
- O que ela reforça na cultura? (Ela está alinhada aos valores e comportamentos desejados?)
- Como será sustentada no cotidiano? (O que garante que seu efeito não se perderá após um tempo?)
Se a resposta para qualquer uma dessas perguntas não estiver clara, a iniciativa pode ser apenas um paliativo e não uma intervenção estratégica.
Intenção Estratégica + Execução Simples
Uma grande transformação não exige necessariamente um grande orçamento. O que realmente faz a diferença é clareza de propósito e a capacidade de traduzir isso em ações simples e replicáveis.
Algumas iniciativas que têm um impacto profundo na cultura empresarial sem demandar grandes investimentos:
- Escuta estruturada: Criar espaços regulares para que as pessoas compartilhem percepções e feedbacks sem medo.
- Rituais de reconhecimento: Pequenos gestos de reconhecimento que reforçam comportamentos alinhados à cultura.
- Lideranças facilitadoras: Investir no desenvolvimento de líderes que saibam criar ambientes psicologicamente seguros e incentivem a autonomia.
Conexão Prática
Agora, um convite: pegue uma ação atual de DHO na sua organização e reflita sobre ela usando as três perguntas-chave:
- Para que essa ação existe?
- O que ela reforça na cultura?
- Como será sustentada no cotidiano?
Depois, pense em um pequena ação que você pode adotar no dia a dia para reforçar a cultura que deseja ver florescer.
A cultura se molda mais pelo que se faz todos os dias do que pelos grandes eventos.
Agora é com você: escolha uma iniciativa de DHO e repense como ela pode ser mais estratégica. Pequenas mudanças geram grandes impactos quando são consistentes!
Veruska Galvão É especialista em Liderança, Segurança Psicológica e Cultura Organizacional. Empreendedora e psicóloga organizacional dentre tantas outras funções que a apoiam na condução de líderes e RH’s para a transformação do mundo do trabalho. Ama trabalhar com GENTE e seu negócio, definitivamente, são pessoas. Palestrante e escritora. É fundadora da Akademia de Transformação Organizacional, empresa de educação corporativa focada na formação de agentes de transformação do novo mundo do trabalho. E idealizadora do Movimento Maio Humanizado.