A Nova NR1: Transformando a Cultura Organizacional e a Gestão dos Fatores Psicossociais nas Empresas

A Nova NR1: Transformando a Cultura Organizacional e a Gestão dos Fatores Psicossociais nas Empresas

Veruska Galvão – 26 de março de 2025

Com as recentes mudanças nas Normas Regulamentadoras, especialmente a NR1, as empresas brasileiras enfrentam um novo desafio: a adaptação a exigências que agora incluem a gestão dos fatores psicossociais no ambiente de trabalho. Não estamos mais falando apenas de riscos físicos, mas de aspectos que envolvem a saúde mental, as relações interpessoais e a qualidade de vida dos colaboradores.

A Fiscalização Está Mais Rigorosa – E Não Tem Como Fugir

Uma das mudanças mais significativas é a intensificação da fiscalização. O Ministério do Trabalho já iniciou a contratação de 900 novos fiscais, que estão sendo treinados para realizar essas inspeções nas empresas. Isso significa que todas as empresas, de qualquer porte, terão que se adaptar à nova norma, sob pena de enfrentar multas e, o mais desafiador, danos à sua reputação.

Não importa o tamanho da empresa ou o número de colaboradores. A NR1 exige que todos, sem exceção, cuidem da saúde psicossocial de seus colaboradores. E isso inclui a criação de ambientes de trabalho mais saudáveis, onde o respeito, o bem-estar e a segurança emocional sejam priorizados.

Exceções à Obrigatoriedade de Adequação à NR1

Embora a NR1 seja obrigatória para todos, existem algumas exceções que merecem ser destacadas. Microempreendedores individuais (MEIs) e empresas de pequeno porte estão dispensados de elaborar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), desde que não apresentem riscos ocupacionais que exijam medidas de prevenção específicas. Contudo, mesmo essas empresas devem se preocupar com os aspectos psicossociais, ou seja, com a saúde emocional e as relações interpessoais no ambiente de trabalho.

As questões relacionadas ao assédio moral, à carga excessiva de trabalho, à pressão por metas abusivas e à falta de apoio social são apenas alguns dos pontos que devem ser monitorados. Mesmo que a documentação do PGR não seja obrigatória, essas empresas continuam sendo responsáveis por proteger seus colaboradores contra riscos psicossociais.

Saúde Mental e Além: A NR1 Vai Muito Além da Saúde Mental

É importante esclarecer que a NR1 não trata exclusivamente da saúde mental dos trabalhadores, embora ela seja um dos aspectos abordados. A norma se refere a um conjunto de fatores psicossociais que envolvem o ambiente de trabalho e a saúde emocional dos colaboradores. Assédio moral, discriminação, falta de diversidade, violência no trabalho e a ausência de apoio social são elementos que devem ser constantemente monitorados e prevenidos.

Esses fatores têm um impacto direto na qualidade de vida dos colaboradores, e, consequentemente, no desempenho e no engajamento no trabalho. A criação de uma cultura organizacional saudável passa necessariamente pela gestão dos fatores psicossociais. As empresas que não investirem nessa mudança terão dificuldades para manter seus colaboradores motivados e comprometidos com os objetivos organizacionais.

Cultura Organizacional: A Chave para um Ambiente de Trabalho Saudável

A gestão dos fatores psicossociais é, na verdade, a gestão da cultura organizacional. E isso não é algo pontual ou que pode ser feito apenas com uma palestra ou um programa isolado. A construção de uma cultura saudável exige uma abordagem contínua, com políticas claras, ações sistemáticas e o envolvimento de todos os colaboradores, desde a liderança até os funcionários.

As empresas que entenderem isso terão um diferencial competitivo no mercado. Cultivar um ambiente de trabalho saudável, onde as relações são respeitosas e a saúde mental dos colaboradores é valorizada, reflete diretamente na produtividade, no engajamento e na retenção de talentos.

Para implementar mudanças efetivas na cultura organizacional, é necessário ter clareza de que a saúde psicossocial dos colaboradores não deve ser tratada de forma isolada, mas sim integrada à gestão da cultura organizacional. Todos os aspectos do ambiente de trabalho, incluindo valores, comportamentos, rituais e normas, devem ser alinhados para promover um ambiente saudável.

O Papel da Liderança e da Gestão de RH

A liderança tem um papel fundamental nesse processo. Os líderes precisam ser sensíveis às questões psicossociais e devem ser os primeiros a implementar práticas que favoreçam o bem-estar dos colaboradores. O RH, por sua vez, deve ser o facilitador dessa transformação cultural, auxiliando na criação de políticas internas, canais de escuta, programas de apoio psicológico e ações de prevenção.

Além disso, é essencial que a organização adote um método estruturado para avaliar os riscos psicossociais e adote planos de ação que envolvam todos os níveis hierárquicos. Isso não é apenas uma obrigação legal, mas uma responsabilidade ética das empresas que buscam construir um ambiente de trabalho saudável e inovador.

A Transformação Cultural Como Diferencial Competitivo

Empresas que se adaptam a essa nova realidade, que priorizam a saúde psicossocial de seus colaboradores e investem na gestão da cultura organizacional, estarão à frente no mercado. Esses ambientes de trabalho se tornam mais atrativos para os talentos do futuro, que já buscam lugares onde possam crescer não só profissionalmente, mas também pessoalmente.

Os resultados dessa transformação são claros: maior engajamento, menor absenteísmo, redução de turnover, maior produtividade e uma marca empregadora mais forte. A longo prazo, as empresas que cuidam dos fatores psicossociais constroem um diferencial competitivo sustentável.

O Caminho da Gestão da Cultura Organizacional

Como profissional de Recursos Humanos ou consultor, é essencial entender que a gestão dos fatores psicossociais vai além do cumprimento da legislação. Trata-se de um processo contínuo de transformação organizacional, que envolve a criação de uma cultura corporativa saudável e respeitosa.

Neste contexto, a norma NR1 representa não apenas uma mudança legal, mas uma oportunidade para repensar a cultura das organizações. Empresas que abraçam essa transformação serão mais inovadoras, mais atrativas para talentos e, sem dúvida, mais competitivas no mercado.

Portanto, se você ainda não está atento a essa realidade, é hora de se preparar. O mercado já está mudando, e quem não se adaptar ficará para trás. Se você é de RH, de desenvolvimento organizacional ou consultor, é fundamental entender sobre a cultura organizacional e como ela se conecta com a gestão dos fatores psicossociais. Isso não só protegerá sua empresa legalmente, mas também ajudará a construir um ambiente mais saudável, produtivo e engajado.

Veruska Galvão É especialista em Liderança, Segurança Psicológica e Cultura Organizacional. Empreendedora e psicóloga organizacional dentre tantas outras funções que a apoiam na condução de líderes e RH’s para a transformação do mundo do trabalho. Ama trabalhar com GENTE e seu negócio, definitivamente, são pessoas. Palestrante e escritora. É fundadora da Akademia de Transformação Organizacional, empresa de educação corporativa focada na formação de agentes de transformação do novo mundo do trabalho. E idealizadora do Movimento Maio Humanizado.

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