A conversa que não podemos mais adiar: Por que saúde mental precisa sair da superfície nas organizações

A conversa que não podemos mais adiar: Por que saúde mental precisa sair da superfície nas organizações

Veruska Galvão – 17 de junho de 2025

Nos últimos dias, uma postagem da Vicky Bloch movimentou milhares de profissionais no LinkedIn. O tema? Algo que todos estamos sentindo na pele, mas que ainda é tratado de forma tímida e, muitas vezes, protocolar nas empresas: a saúde mental no trabalho.

Foram centenas de comentários cheios de emoção, identificação e até desabafo. Profissionais de RH, consultores, líderes e executivos disseram, com outras palavras, a mesma coisa: “Sim, está difícil. Mas precisamos fazer diferente.”

Essa reação coletiva diz muito sobre o momento que estamos vivendo.

Não é só sobre bem-estar. É sobre cultura.

Por muito tempo, a saúde mental foi tratada como uma “ação de RH”: incluir uma palestra de bem-estar, um app de meditação ou um workshop de mindfulness no calendário de endomarketing.

Mas a realidade é que o buraco é mais embaixo.

Estamos falando de uma crise que é cultural. Que é estrutural. E que exige muito mais do que campanhas de conscientização.

Se o ambiente não muda, nenhuma ação isolada de cuidado vai sustentar o bem-estar das pessoas.

As dores invisíveis que afetam a performance (e que ninguém tem coragem de falar nas reuniões)

Times exaustos, mas com medo de pedir ajuda. Líderes sobrecarregados, que estão tentando ser “fortes” enquanto também desmoronam por dentro. Reuniões com discursos inspiradores, mas com práticas que seguem reforçando o medo, a pressão desmedida e a “cultura da culpa”. Turnover crescente, adoecimentos silenciosos e uma produtividade que despenca, mesmo com todos “cumprindo suas metas”.

Essa é a realidade de muitas empresas hoje. E fingir que não está acontecendo só aprofunda o problema.

O papel de quem atua com RH, DHO e Desenvolvimento de Líderes

Se você é consultor, profissional de DHO ou RH, talvez esteja vivendo o mesmo dilema que muitos dos comentaristas da postagem da Vicky:

  • Você sugere ações mais humanas…
  • Propõe mudanças na cultura…
  • Fala sobre segurança psicológica…
  • Mas percebe que muita liderança ainda escuta, concorda… e faz exatamente o oposto na prática.

Isso é frustrante. É cansativo. Mas é também o convite mais urgente da nossa carreira: liderar uma transformação real, de dentro pra fora.

Como transformar esse movimento em ação concreta?

  1. Leve a conversa para o board, com dados, cases e indicadores de impacto (absenteísmo, turnover, produtividade).
  2. Crie espaços seguros de escuta dentro da empresa: rodas de conversa, grupos de apoio, momentos de check-in emocional.
  3. Ajude a liderança a desenvolver uma nova musculatura emocional: com mentorias, treinamentos e acompanhamento próximo.
  4. Integre saúde mental à estratégia de negócios, como parte da cultura da empresa e não como um “evento de RH”.

E, acima de tudo: não desista de provocar esse debate. O post da Vicky mostrou que muita gente está com você nessa luta. E que existe uma comunidade inteira de profissionais que não quer mais aceitar o “normal disfuncional”.

O que aprendemos com isso

Talvez o maior aprendizado de tudo isso seja:

Humanizar o trabalho não é um luxo. É uma questão de sobrevivência – das pessoas e das organizações.

Se você trabalha com DHO, RH ou liderança, esse é o momento de assumir o protagonismo dessa transformação.

Porque a saúde mental no trabalho não pode mais ser um post de impacto no LinkedIn. Ela precisa ser uma nova forma de liderar, conviver e construir resultados.

Veruska Galvão É especialista em Liderança, Segurança Psicológica e Cultura Organizacional. Empreendedora e psicóloga organizacional dentre tantas outras funções que a apoiam na condução de líderes e RH’s para a transformação do mundo do trabalho. Ama trabalhar com GENTE e seu negócio, definitivamente, são pessoas. Palestrante e escritora. É fundadora da Akademia de Transformação Organizacional, empresa de educação corporativa focada na formação de agentes de transformação do novo mundo do trabalho. E idealizadora do Movimento Maio Humanizado

Fonte: LinkedIn – Veruska Galvão


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