O maior risco das empresas hoje não é financeiro. É comportamental.

13 de fevereiro de 2026

O maior risco das empresas hoje não é financeiro. É comportamental.

13 de fevereiro de 2026 – Por Veruska Galvão

Quando falamos em risco de negócio, é comum que a maioria das lideranças pense em gráficos e números. Pensamentos que giram em torno de temas como fluxo de caixa, custos, impostos, concorrência ou tecnologia.

No entanto, existe um risco que não aparece nas planilhas, e que hoje tem sido o mais perigoso para qualquer empresa, independente do porte, segmento ou nacionalidade.

Me refiro ao risco comportamental!

Este risco nasce da qualidade das relações que são construídas, ou não, no dia a dia corporativo. É o risco presente nas decisões mal tomadas, no jeito de liderar, de cobrar metas, de silenciar em reuniões e de tolerar comportamentos inadequados em nome do resultado. E, diferentemente de um risco financeiro, este cresce em silêncio. O risco que ninguém vê, mas dá pra sentir, até virar um problema de performance.

Como quase todo problema, este também não começa grande. São problemas que começam pequenos, quase imperceptíveis, como:

  • metas inalcançáveis normalizadas
  • comunicação agressiva disfarçada de “personalidade forte”
  • líderes sobrecarregados multiplicando a pressão que recebem de cima pra baixo
  • medo de falar, errar, questionar ou pedir ajuda

Esses comportamentos vão sendo aceitos, repetidos e até mesmo reforçados. E, sem perceber, a empresa constrói uma cultura que adoece pessoas e expõe o próprio negócio a riscos jurídicos e reputacionais. Não por maldade, mas por despreparo.

Muitas vezes temos a impressão de que as empresas ficaram piores de um tempo pra cá. Essa é uma leitura um tanto quanto rasa. O fato é que elas ficaram mais pressionadas por resultados inalcançáveis, estruturas mais enxutas e menos margem para erros.

Ao mesmo tempo, muitos líderes vão sendo promovidos pela competência técnica, que facilmente será substituída por inteligências artificiais, e não pelas habilidades sócio-emocionais ou simplesmente pela capacidade de entender de gente.

O resultado desse desequilíbrio é um tanto previsível:

  • a pressão é cascateada
  • a escuta desaparece
  • o medo cresce

E, assim, o comportamento, as relações construídas naquele ambiente, viram risco organizacional. Uma receita perfeita para a desumanização e o adoecimento no trabalho.

O risco comportamental acontece toda vez que as metas ignoram os limites humanos, quando o medo vira ferramenta de gestão, quando os conflitos são ignorados e os comportamentos tóxicos são tolerados porque “entregam resultado”.

Toda empresa acredita que controla seus números, mas poucas controlam seus comportamentos.

Todo comportamento vira cultura. O problema é quando os comportamentos não são estrategicamente pensados a partir de valores claros e intencionais. Aí, a cultura não intencional vira risco na certa.

Um erro clássico

Um dos maiores erros das organizações é achar que isso é um problema exclusivo do RH. É um erro delegar a cultura. A cultura da empresa deve ser pauta da alta liderança. O RH precisa sim fornecer ferramentas para a liderança, porém a liderança é o sistema operacional da cultura organizacional.

Tudo o que é tolerado pelos líderes é replicado pelos liderados em forma de comportamento similar ou de reação negativa. Assim como tudo o que o líder reforça, as pessoas aprendem em nome da garantia do seu emprego.

Atualmente, líderes que realmente sabem proteger a empresa de riscos, precisam assumir responsabilidades que vão além das habilidades técnicas. Eles precisam:

  • compreender o impacto do próprio comportamento sobre seus times
  • identificar sinais precoces de adoecimento em si e nos outros
  • sustentar resultados sem recorrer à violência (silenciosa) psicológica disfarçada de senso de urgência.

Líderes que promovem resultados saudáveis deixam de ser só um diferencial. São requisito de sobrevivência.

Cuidar das pessoas significa proteger a empresa

Existe um paradigma no mundo corporativo: ou você cuida das pessoas, ou você cuida do resultado. Essa oposição simplesmente colabora para nenhum negócio. Empresas com culturas adoecidas podem até ter um desempenho melhor por um tempo, mas acumulam riscos em nome da mal compreendida alta performance, e cedo ou tarde pagam a conta da rotatividade, do presenteísmo, da falta de engajamento, dos afastamentos e, obviamente, dos resultados pífios.

Proteger pessoas e proteger a empresa não são caminhos opostos. São o mesmo caminho, quando a cultura é forte e saudável.

E esse caminho começa pela alta liderança.

Veruska Galvão É especialista em Liderança, Segurança Psicológica e Cultura Organizacional. Empreendedora e psicóloga organizacional dentre tantas outras funções que a apoiam na condução de líderes e RH’s para a transformação do mundo do trabalho. Ama trabalhar com GENTE e seu negócio, definitivamente, são pessoas. Palestrante e escritora. É fundadora da Akademia de Transformação Organizacional, empresa de educação corporativa focada na formação de agentes de transformação do novo mundo do trabalho. E idealizadora do Movimento Maio Humanizado

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