CEO terá que administrar gente e robôs

CEO terá que administrar gente e robôs

Além dos funcionários – com salários, férias, promoções e demissões – haverá a inteligência artificial, diz Chuck Whitten, diretor global da área digital da consultoria Bain & Company

Por Marcos de Moura e Souza — De São Paulo – 18/06/2025 05h01 Atualizado há 4 dias

Dentro de alguns anos, empresários e CEOs vão administrar uma força de trabalho formada não só por humanos. Além dos funcionários – com salários, férias, promoções e demissões – haverá a inteligência artificial.

“Serão empresas compostas por humanos, agentes virtuais, robôs, todos trabalhando em conjunto para atender aos clientes de uma forma melhor do que fazem hoje. Isso mudará a natureza do trabalho, mudará a natureza dos modelos de negócios e mudará a maneira como as empresas precisam pensar em liderar e gerenciar seus talentos”, disse Chuck Whitten, diretor global da área digital da consultoria Bain & Company.

Ele lembra que a Microsoft já deu um nome às empresas que conjugarão duas formas de mão de obra: “frontier firms”.

Inteligência artificial foi o tema do encontro que Whitten teve na semana passada com um grupo de executivos de setores diversos. O encontro ocorreu no escritório da Bain, em São Paulo.

Um dos recados de Whitten foi que os executivos precisam estar sempre prontos a aprender. Principalmente sobre tecnologia.

“O executivo do futuro terá que ser mais fluente em tecnologia. Eles não terão que ser engenheiros por formação, porque as ferramentas já existem. Mas será preciso saber muito mais sobre como a tecnologia afetará o seu setor, a sua força de trabalho e como o trabalho poderá ser reinventado na sua empresa com a tecnologia”, afirmou Whitten em entrevista ao Valor após o diálogo com os CEOs.

Formado em Matemática Econômica, História e com um MBA na Harvard Business School, Whitten fez carreira na Bain antes de assumir o cargo de executivo-chefe adjunto da área operacional da Dell Technologies. Voltou para a Bain em 2024.

Olhando para trás, diz ver muitas mudanças. Uma delas, a relevância da tecnologia nos negócios.

“Cinco ou dez anos atrás, o departamento de tecnologia das empresas geralmente ficava no final do corredor. Hoje, resolver problemas ligados aos negócios e resolver problemas ligados à tecnologia é a mesma coisa e, portanto, todo executivo precisa se interessar e imaginar um mundo de aprendizado contínuo, porque a tecnologia está se movendo muito rapidamente e impactando todos os setores.”

Whitten tem uma certeza sobre inteligência artificial: que estamos apenas começando a entender as aplicações e as implicações dessa nova tecnologia.

“A IA generativa está ficando mais desenvolvida à medida que adicionamos novas fontes de dados, vídeos, à medida que adicionamos códigos, à medida que as ferramentas começam a criar dados sintéticos e a se treinar. Essas ferramentas só vão ficar melhores”, observa ele.

Os passos seguintes serão os agentes autônomos capazes de agir em nome das empresas e, em breve, uma IA física, ou seja, a robótica e IA se unindo.

Whitten diz não gostar de brincar de adivinho e de descrever como viveremos no futuro. Mas olhando a rapidez do desenvolvimento da IA e de alguns modelos já em operação, se arrisca em antever um mundo onde as pessoas terão seus agentes virtuais pessoais. Agentes virtuais para os quais daremos procuração para agirem em nosso nome, acrescenta Whitten

“Os agentes serão capazes de otimizar nossas finanças trabalhando com agentes do outro lado, em bancos e instituições financeiras. Eles vão organizar nossas férias e, se o avião atrasar, vão automaticamente remarca nossa viagem. Ou, melhor ainda: quando eu disser que gostaria de ir de férias para São Paulo, meu agente virtual reservará meu hotel favorito, meu restaurante favorito, meu serviço de carro quando eu pousar, tudo sem que eu precise intervir. E, então, eu acho que há um futuro em que todos seremos mais produtivos.”

Whitten é um otimista e diz que esses ajudantes virtuais tornarão a vida de seus proprietários mais leves, sem a perda de tempo em algumas atividades chatas.

Isso vai custar milhões e milhões de empregos, como diversas projeções apontam? Whitten é cauteloso e diz não abraçar muito essas previsões. “O que é possível dizer é que vamos precisar de novas habilidades, vamos precisar de novos treinamentos e novas indústrias surgirão com um tipo diferente de força de trabalho.”

No caso dos CEOs, seu conselho é que tenham senso de urgência.

“Todos os setores serão afetados pela IA, alguns de forma sutil, outros de forma mais significativa, e todas as empresas precisam lidar com isso. Portanto, agir com urgência é fundamental”.

Isso, em parte, significa que os executivos devem, eles mesmos fuçar as possibilidades das ferramentas de IA.

Whitten diz estar convicto de que essas ferramentas de IA não vão substituir profissionais em cargos executivos nos seus processos de decisão nas quais capacidades, habilidades, percepções humanas são incomparáveis.

“Essa tecnologia nos complementa. Ela não nos substitui na tomada de decisões. Acho que esse é o futuro. Mas você ainda precisa do julgamento humano e ainda precisa da liderança humana para criar valor a partir da tecnologia. Seremos aprimorados e, às vezes, muito mais produtivos com essas ferramentas. Mas elas não serão um substituto para nós”.

Fonte: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2025/06/18/ceo-tera-que-administrar-gente-e-robos.ghtml

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