A NR1 não é só uma norma. É uma virada de chave para o Desenvolvimento Humano e Organizacional.

6 de fevereiro de 2026

A NR1 não é só uma norma. É uma virada de chave para o Desenvolvimento Humano e Organizacional.

Veruska Galvão – 21 de Janeiro de 2026

Nos últimos anos, falar sobre saúde mental no trabalho deixou de ser tendência para se tornar urgência. E a atualização da NR1 é uma resposta clara e necessária a esse cenário.

Mais do que uma mudança normativa, a nova NR1 representa uma virada de chave na forma como o trabalho é organizado no Brasil. E, para quem atua ou deseja atuar com Desenvolvimento Humano e Organizacional (DHO), ela abre um campo real, estratégico e crescente de oportunidades de carreira.

Neste artigo, quero te mostrar por que a NR1 não é apenas uma obrigação legal para as empresas, mas um mar de oportunidades para profissionais de RH, DHO e consultores que sabem olhar para cultura, comportamento e relações de trabalho com profundidade e método.


O cenário que levou à atualização da NR1

Os números falam por si e são alarmantes.

Em 2024, o INSS concedeu mais de 472 mil auxílios-doença relacionados a transtornos mentais no Brasil. Isso representa um crescimento de aproximadamente 68% em relação a 2023.

E o cenário não melhora em 2025.
Somente no primeiro semestre, já foram registrados mais de 271 mil afastamentos por transtornos mentais. De janeiro a setembro de 2025, os dados oficiais apontam mais de 403 mil afastamentos, o que indica que o país deve ultrapassar a marca de meio milhão de afastamentos em um único ano.

Estamos falando de pessoas. De histórias. De vidas impactadas por ambientes de trabalho adoecedores.

Esse crescimento, pelo quinto ano consecutivo, deixa claro: não se trata de um problema pontual, mas de um problema estrutural e cultural.

O adoecimento mental é um reflexo da cultura do trabalho

Não existe desenvolvimento humano em ambientes que não estão estruturados para desenvolver pessoas.

Quando uma cultura de trabalho normaliza:

  • sobrecarga constante,
  • jornadas excessivas,
  • comunicação agressiva,
  • assédio moral velado,
  • relações baseadas em medo ou silêncio,

o adoecimento mental deixa de ser exceção e passa a ser consequência.

Por isso, quando falamos de NR1, estamos falando de mudança cultural.
A atualização da norma reconhece oficialmente algo que profissionais de DHO já sabem há muito tempo: a forma como o trabalho é organizado adoece ou promove saúde.

O que muda, na prática, com a nova NR1

A NR1 é a chamada norma-mãe das Normas Regulamentadoras. E sua atualização, em agosto de 2024, trouxe uma mudança histórica:

Os fatores psicossociais passam a integrar oficialmente o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o PGR.

Isso significa que agora as empresas precisam identificar, avaliar e gerenciar riscos como:

  • carga abusiva de trabalho,
  • assédio moral e organizacional,
  • violência psicológica,
  • comunicação tóxica,
  • falhas na organização do trabalho,
  • práticas de gestão adoecedoras.

Não estamos mais falando apenas de riscos físicos.
Estamos falando de segurança psicológica, relações de trabalho e cultura organizacional.

E isso muda tudo.

Por que o DHO passa a ocupar o centro da estratégia

Com a nova NR1, RH e DHO deixam de ser áreas de apoio e passam a ser áreas estratégicas de proteção do negócio.

Quem entende de:

  • comportamento humano,
  • cultura organizacional,
  • liderança,
  • desenvolvimento de pessoas,

passa a ser essencial para que a empresa cumpra a norma de forma real — e não apenas documental.

A NR1 não se resolve com formulários ou avaliações isoladas do indivíduo.
Ela exige leitura de ambiente, diagnóstico cultural, intervenções estruturadas e desenvolvimento de lideranças.

Esse é o território natural do Desenvolvimento Humano e Organizacional.

O mito das “soluções simples” para problemas complexos

Tenho visto muitos profissionais oferecendo “soluções prontas” para a NR1: testes psicológicos, avaliações individuais, checklists genéricos.

Isso é um erro grave.

A NR1 não fala sobre avaliar pessoas.
Ela fala sobre avaliar ambientes, sistemas e culturas de trabalho.

Cada empresa possui riscos psicossociais específicos, que variam por:

  • unidade,
  • área,
  • tipo de liderança,
  • maturidade cultural.

Problemas complexos exigem soluções estruturadas, contínuas e sistêmicas.
E é exatamente aqui que surgem as oportunidades para profissionais de Desenvolvimento Humano e Organizacional bem preparados.

A liderança também adoeceu — e isso muda o jogo

Durante muito tempo, o adoecimento mental era visto como um problema da base da pirâmide organizacional.

Isso mudou.

Hoje, executivos e alta liderança também estão adoecendo, sendo afastados, entrando em colapso. E quando a dor chega no topo, ela deixa de ser invisível.

Isso tem gerado abertura real para:

  • programas de desenvolvimento de lideranças mais humanos,
  • projetos de cultura saudável,
  • educação psicossocial,
  • construção de ambientes psicologicamente seguros.

A transformação começa pela liderança. Sempre.

A NR1 é lei — e a fiscalização já está acontecendo

Mesmo com o adiamento oficial das fiscalizações da NR1 para maio de 2026, a verdade é simples:

O cerco já está se fechando.

Muitas empresas já estão sendo fiscalizadas com base na NR17, especialmente no conceito de ergonomia cognitiva, que inclui aspectos psicossociais e mentais do trabalho.

Além disso:

  • denúncias anônimas já podem ser feitas,
  • decisões judiciais começam a responsabilizar empresas por adoecimentos relacionados ao trabalho,
  • o custo do adoecimento mental já ultrapassa 1 trilhão de dólares na economia global.

Não há mais como ignorar.

Por que a NR1 cria um “oceano azul” para o DHO

A grande oportunidade está aqui:

🔹 Há pouquíssimos profissionais preparados para traduzir a NR1 em práticas reais de cultura, liderança e desenvolvimento humano.
🔹 As empresas estão perdidas, inseguras e sem saber por onde começar.
🔹 Quem domina cultura organizacional, metodologia e leitura sistêmica sai na frente.

Isso abre espaço para:

  • atuação consultiva estratégica,
  • crescimento interno para quem é CLT,
  • criação de programas, diagnósticos e trilhas de desenvolvimento,
  • diferenciação profissional real no mercado.

Não é exagero dizer: o Desenvolvimento Humano e Organizacional nunca foi tão necessário quanto agora.

O que profissionais de DHO precisam fazer agora

Se você atua ou deseja atuar com DHO, algumas decisões são inadiáveis:

  • Estudar profundamente a NR1, a NR17 e referências como a ISO 45003
  • Aprender a conectar legislação com cultura organizacional
  • Desenvolver capacidade de diagnóstico de riscos psicossociais
  • Estruturar metodologias práticas, não soluções superficiais
  • Se posicionar desde já como profissional estratégico

O melhor momento para se preparar foi ontem.
O segundo melhor é agora.


Um novo tempo para o Desenvolvimento Humano e Organizacional

Nunca foi tão urgente alinhar desenvolvimento humano, cultura organizacional e legislação.

A NR1 não é uma ameaça para o DHO.
Ela é um convite e uma oportunidade histórica.

Para quem se prepara, esse novo cenário significa:

  • mais relevância,
  • mais impacto,
  • mais oportunidades de carreira,
  • e, acima de tudo, mais ambientes de trabalho humanos e saudáveis.

E é exatamente para isso que o DHO existe.

Esse novo cenário não é sobre cumprir norma.
É sobre transformar a forma como o trabalho acontece.

No MBA em Gestão e Modelagem da Cultura Organizacional, os fatores psicossociais não são um tema isolado, eles fazem parte da base do desenvolvimento humano, da cultura e da liderança.

Se você sente que esse é o próximo passo da sua carreira, venha conhecer o MBA.

Veruska Galvão É especialista em Liderança, Segurança Psicológica e Cultura Organizacional. Empreendedora e psicóloga organizacional dentre tantas outras funções que a apoiam na condução de líderes e RH’s para a transformação do mundo do trabalho. Ama trabalhar com GENTE e seu negócio, definitivamente, são pessoas. Palestrante e escritora. É fundadora da Akademia de Transformação Organizacional, empresa de educação corporativa focada na formação de agentes de transformação do novo mundo do trabalho. E idealizadora do Movimento Maio Humanizado

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